Ep. 2 | Sílvia Lourenço: Desenvolver aquacultura de ouriços-do-mar na Madeira é o desafio desta investigadora

Sabia que as ovas dos ouriços-do-mar são iguarias muito procuradas em países como o Japão ou a França? A bióloga marinha do Centro de Maricultura da Calheta, Sílvia Lourenço, está inserida num projeto cujo intuito é desenvolver a aquacultura destes ouriços na Madeira, para posterior valorização das suas ovas. Este projeto desenvolve-se em parceria com o CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (Porto).

Sílvia Lourenço explica que a sua investigação se desenvolve em várias etapas: a primeira corresponde à “formulação de um alimento artificial para os ouriços que promova o crescimento das suas ovas com as características preferidas pelo consumidor”.  Segundo a investigadora, “essas preferências passam pelo tamanho, cor e sabor ideais, características que são muito procuradas pelos mercados  gourmet  internacionais. Na Madeira, esclarece, “pretendem dar a conhecer este produto, contribuindo para o fomento do turismo gastronómico na ilha”. As características das gónadas variam segundo a fase do ciclo reprodutivo em que se encontram estes animais, por isso, o seu consumo é sazonal. Isto porque, explica a investigadora, “como as ovas são ao mesmo tempo o órgão reprodutor e o órgão de reserva dos ouriços, são grandes imediatamente antes da desova e pequenas após este evento”.

O valor deste produto é tal que “um quilo de ovas pré-conservadas pode custar 100 euros”, em países como o Japão e a França.

Para determinar o período da desova dos ouriços na ilha da Madeira, Sílvia Lourenço e o grupo de investigação deste projeto, monitorizaram o ciclo reprodutivo destes animais, estabelecendo assim um período temporal ótimo para que possam ser apanhados. A investigadora explica que “este período de desova ocorre durante o início do ano”.

Estes investigadores têm realizado diversas experiências laboratoriais com estes animais. Após apanharem os ouriços, levam-nos para o Centro de Maricultura da Calheta, onde os engordam com dietas especialmente formuladas para atingir uma elevada qualidade das ovas. Estas dietas, segundo Sílvia Lourenço, “têm os nutrientes e pigmentos necessários para produzir ovas grandes, de cor laranja viva, e com intenso sabor a mar”.

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