Ep. 13 | Maria João Lima: Investigadora estuda o transporte de partículas entre montes submarinos para compreender a ligação entre estes ecossistemas

Maria João Lima trabalha no Observatório Oceânico da Madeira (OOM), no grupo de Oceanografia Física. Para executar o seu trabalho, utiliza uma ferramenta matemática que lhe permite "mapear possíveis trajetórias, quer para a frente quer para trás no tempo, por exemplo, de boias derivantes, de derrames de petróleo, de plásticos e ainda de larvas de diferentes espécies".

A ferramenta matemática que utiliza chama-se Lagrangiana, e é usada para "lançar (informaticamente) um determinado número de partículas virtuais que representam uma parcela de água. Estas partículas podem ser lançadas às centenas ou até milhares e podem simular organismos que não têm movimento próprio ou objetos dispersos", esclarece a investigadora. Para além desta ferramenta, Maria João também recorre a dados de modelos de circulação oceânica. 

No seu trabalho atual, Maria João estuda o "grau de conectividade que existe entre o grupo de montes submarinos conhecidos por Great Meteor e Madeira-Tore, que estão localizados, respetivamente, a Oeste e Nordeste da ilha da Madeira". Para contextualizar, "um monte submarino é uma montanha que se eleva do fundo do oceano sem atingir a superfície", explica. 

 Ao número de partículas virtuais que são lançadas a partir de um monte submarino e que vão ter a outro dá-se o nome de "conectividade". Essas partículas também podem ser encontradas no mesmo monte a partir do qual foram lançadas, explica a investigadora. De uma maneira mais simples, podemos dizer que "os fatores que contribuem para estes fenómenos são, por exemplo, as correntes, que podem favorecer ou impedir o movimento destas partículas entre os vários montes submarinos".

Para além deste trabalho, Maria João complementa esta investigação com a identificação dos "montes que atuam como principais recetores ou emissores de partículas". Explica ainda que isto é importante pelo facto de permitir que se saiba "se um determinado monte depende apenas das partículas que ele próprio produz ou se é sustentado pelas partículas que vêm de outros montes". Para rematar, a investigadora do OOM realça que esta informação é relevante para "identificar os principais processos físicos responsáveis pela ligação ou isolamento das populações de organismos marinhos dos montes submarinos, como, a longo prazo, será essencial para a caracterização da biodiversidade destes ecossistemas (ainda muito pouco explorados) e para a definição de novas Áreas Marinhas Protegidas".

Oiça aqui: