Ep. 8 | Afonso Gonçalves: Investigador do M-ITI desenvolve exergames para combater o sedentarismo na população sénior

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Afonso GonçalvesAfonso Gonçalves é investigador no Madeira Interactive Technologies Institute (M-ITI) e a sua investigação centra-se no uso das tecnologias da informação e comunicação no auxílio ao envelhecimento ativo. 

Segundo a pesquisa do investigador, "a população dos países desenvolvidos tem sofrido um envelhecimento acentuado, prevendo-se que até 2060 cerca de um 1/3 da população europeia tenha mais de 65 anos", daí ser tão importante aprofundar o conhecimento nesta área. Afonso Gonçalves refere ainda que "os comportamentos sedentários e a inatividade física são a quarta causa de morte no mundo". Uma das alternativas para combater estes comportamentos é a denominada exergame, ou seja, videojogos de exercício. Afonso Gonçalves revela que estes jogos "têm demonstrando grande potencial na promoção da atividade física e é reconhecida a sua aceitação por parte da população idosa". É por isto que o investigador está "associado a um projeto que se chama Augmented Human Assistantance e que procura desenvolver soluções para combater o sedentarismo e as morbilidades associadas", explica. A sua função neste projeto foca-se no "desenvolvimento e estudo de exergames adaptados à população sénior local".

O principal desafio destes jogos é conseguir fazer a correspondência entre as necessidades e motivações da população sénior e os elementos que integram os jogos e, para isso, foi necessário recolher a opinião da população sénior madeirense para proceder à construção destes exercícios.

O investigador indica que os resultados desta investigação, que opôs dois grupos de séniores, um  que jogou os exergames e outro que seguiu um plano de exercício físico convencional, sugerem que "os grupos de utentes em estudo obtiveram melhorias significativas tanto no equilíbrio, como em outras dimensões de fitness", utilizando os jogos. O investigador assume que "o exercício com jogos teve um impacto um pouco superior no aumento da força dos membros inferiores, superiores e das mãos".

 

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Ep. 7 | Ricardo José: Diversificação e nutrição de espécies marinhas para aquacultura

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Ricardo JoseRicardo José é biólogo no Centro de Maricultura da Calheta e trabalha em aquacultura, especificamente na diversificação e nutrição de novas espécies marinhas para este ramo. 

No âmbito do trabalho desenvolvido no Observatório Oceânico da Madeira, Ricardo José desenvolve investigação em aquacultura no Centro de Maricultura da Calheta, onde se foca na "diversificação e nutrição de novas espécies marinhas" para esta indústria. Segundo o investigador, a equipa à qual pertence está a "investir em duas espécies com potencial para serem criadas em cativeiro", como o pargo-capelo (Dentex gibbosus), "um peixe fusiforme, de tonalidade avermelhada e de elevado valor económico, muito apreciado na gastronomia regional".

Para além dos desenvolvimentos já existentes, Ricardo José admite que existem ainda alguns desafios a superar, como "a captura, aquisição e manutenção em cativeiro de um número razoável de peixes para formar um lote de reprodutores é difícil de conseguir".

O biólogo refere ainda mais duas espécies que estão a ser alvo deste estudo: o ouriço-comum (Paracentrotus lividus) e o ouriço-púrpura (Sphaerechinus granularis). O que esta equipa de trabalho tem feito é analisar "o seu ciclo reprodutivo na ilha da Madeira" e estudar, a nível nutricional, as suas ovas. Ricardo José é o responsável "pela manutenção em cativeiro dos indivíduos que utilizamos nos ensaios experimentais", analisando "o seu comportamento e as suas taxas de crescimento e de sobrevivência ao longo do tempo", explica. 

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Ep. 6 | Cláudio Cardoso: Projeto CleanAtlantic abrange a Madeira no estudo do transporte e retenção do lixo marinho

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Cláudio Cardoso 2 min 1A investigação de Cláudio Cardoso está inserida no Projeto Clean Atlantic, do Programa Interreg Atlantic Area, que visa proteger a biodiversidade e os serviços ecossistémicos no Espaço Atlântico, monitorizando, prevenindo e removendo lixo marinho, através da cooperação regional entre várias entidades públicas e privadas do arco Atlântico, que incluem países como Portugal, Espanha, França, Irlanda e Reino Unido. Uma dessas entidades é o Observatório Oceânico da Madeira, onde atualmente trabalha. 

O investigador centra o seu trabalho na área da oceanografia, mais propriamente sobre o tema do lixo marinho, que tem vindo a ser cada vez mais falado. Cláudio Cardoso explica que o lixo marinho, "resultado das atividades humanas, constitui um problema grave de poluição que ameaça o oceano e a saúde pública". Sobre o projeto especificamente, para além de ser constituído por uma componente de monitorização e deteção, é constituído por uma componente de "sensibilização dos agentes marítimos", refere.

A principal função deste investigador neste projeto é, segundo diz, "estudar o transporte e retenção do lixo marinho ao largo da ilha da Madeira". Para isso, Cláudio utiliza um "modelo numérico que engloba três domínios principais: a circulação atmosférica, a circulação oceânica e as descargas das ribeiras e a sua dispersão no oceano". Numa primeira fase, o trabalho incidirá sobre eventos extremos que ocorreram no passado, como o "20 de Fevereiro", no sentido de testar esses cenários e depois os poder simular.

Para validar e calibrar este modelo, Cláudio explica a necessidade de recorrer a dados obtidos através do lançamento de boias derivantes junto da costa, equipadas com um emissor GPS, o que permite aos investigadores "acompanhar a sua localização e assim compreender a circulação oceânica". Posteriormente, com a validação deste modelo, "a contribuição da ilha da Madeira para a retenção e dispersão de lixo marinho irá ser integrada num outro modelo de maior escala, neste caso ao nível do Oceano Atlântico", para que "estes resultados possam ser entregues às autoridades competentes, de forma a melhorar a gestão e facilidade de implementação das várias regulamentações legais para as áreas marinhas", refere.

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Ep. 5 | Rita Ferreira: Observação de baleias e golfinhos a bordo do ferry “Lobo Marinho”

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Rita Ferreira minDesde o ano 2016, existe uma parceria entre a Porto Santo Line, detentora do ferry "Lobo Marinho", e o Observatório Oceânico da Madeira (OOM). Podendo os investigadores recorrer a este navio enquanto plataforma de oportunidade, o seu trabalho de monitorização e investigação em cetáceos avistados entre a Madeira e o Porto Santo facilita-se.

Rita Ferreira é bióloga marinha do Observatório Oceânico da Madeira (OOM) e, como explica, desenvolve "investigação em cetáceos, ou seja, em baleias e golfinhos". A investigadora aponta um número de espécies que podem ser avistadas "de uma maneira regular ou ocasional" na área junto ao arquipélago da Madeira: vinte e nove. 

Algumas destas espécies podem ser avistadas muito junto à costa, mas outras ocorrem mais longe, pelo que há a necessidade de recorrer a esta plataforma de oportunidade para que seja assegurada a monitorização regular destes animais, assim como o seu estudo.  A bióloga explica que, "cada vez mais por todo o mundo, os investigadores recorrem às chamadas plataformas de oportunidade – ou seja, embarcações que podem ser usadas oportunisticamente pelos investigadores enquanto desenvolvem as suas atividades habituais. Plataformas de oportunidade são os barcos de observação de cetáceos, os barcos de pesca, os cargueiros e os ferries, entre outros". 

A parceria existente entre a Porto Santo Line e o OOM "permite o embarque de dois observadores três vezes por semana no ferry “Lobo Marinho”, possibilitando o envolvimento de "mais de vinte observadores, a maioria deles jovens estudantes de nacionalidades diversas, que adquirem conhecimentos e experiência valiosos para as suas carreiras futuras", refere Rita Ferreira. 

Relativamente à investigação, a bióloga explica que os dados recolhidos através destas monitorizações efetuadas em viagem "permitem estudar a ocorrência e distribuição temporal e espacial dos cetáceos ao longo deste trajeto fixo, monitorizando assim de modo regular uma área que, de outro modo, não seria avaliada tão frequentemente".

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Ep. 4 | Fábio Pereira: Investigador do M-ITI desenvolve novas abordagens para a reabilitação de pessoas com AVC

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2 Fabio Pereira MITIOs Acidentes Vasculares Cerebrais, mais conhecidos por AVC's, comprometem as competências motoras e cognitivas das pessoas, diminuindo assim a sua autonomia e qualidade de vida. Fábio Pereira, investigador no Madeira Interactive Technologies Institute (M-ITI) desenvolve investigação na área da neuro-reabilitação no sentido de promover atividades terapêuticas para as vitimas desta lesão. 

Investigador do NeuroRehabLab (um laboratório ligado ao Madeira Interactive Technologies Institute (M-ITI), Fábio Pereira está a realizar um doutoramento em Engenharia Informática, no ramo da Interação Homem-Máquina. Neste sentido, o foco da sua investigação incide "no desenvolvimento de uma solução terapêutica para a reabilitação de pessoas vítimas de Acidentes Vasculares Cerebrais" (AVC's), que fazem com que "funções como andar, agarrar, manipular objetos, orientar-se no espaço e no tempo ou utilizar eficazmente a linguagem ficam comprometidas", refere.

Na realidade, estas lesões também afetam a vida familiar das pessoas, assim como as suas competências sociais, já que encaminham o doente a uma condição de "isolamento social", diz o terapeuta ocupacional, que explica o seu trabalho de forma simples: "o nosso grupo de investigação pretende desenvolver uma mesa interativa, semelhante a um tablet gigante, onde as pessoas, através de jogos em grupo, possam executar virtualmente tarefas do dia-a-dia". O objetivo desta investigação é permitir aos utentes que a utilizem "realizar atividades terapêuticas, onde sejam trabalhadas competências semelhantes às utilizadas nas tarefas do dia-a-dia, promovendo o desenvolvimento de capacidades motoras", trazendo melhorias funcionais para estas pessoas. 

Para o efeito, o investigador e o seu grupo de trabalho têm realizado alguns estudos sobre várias abordagens que podem ser utilizadas nestas situações. Refere ainda que "as próximas etapas desta investigação vão centrar-se na construção da mesa, na elaboração dos jogos e, finalmente, na experimentação destes jogos com estas pessoas, num estudo longitudinal".

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