Ep. 15 | Carla Lucas: psicóloga desenvolve projetos de promoção de bem-estar psicológico na UMa

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foto Carla Lucas 2O Serviço de Psicologia da Universidade da Madeira (UMa) destina-se a estudantes e funcionários da universidade, bem como à restante comunidade da RAM, disponibilizando consultas de psicologia e outras atividades, como workshops para promover competências pessoais.

Carla Lucas é psicóloga neste serviço e defende que "a aposta na prevenção da saúde mental e na promoção do bem-estar psicológico assume-se como fundamental, porque efetivamente sem saúde mental não há bem-estar, não há saúde física e não há prosperidade económica para o país". A psicóloga justifica então os objetivos deste projeto, que passam por desenvolver práticas de intervenção psicológica sustentadas na investigação, que auxiliem na capacitação das pessoas, nomeadamente dos estudantes universitários, que são o nosso foco principal de atuação".

Uma forma de juntar as duas componentes essenciais ao desenvolvimento deste projeto será "conciliar então a prática clínica/educacional com a investigação, que vai desde a avaliação da eficácia das intervenções psicológicas individuais e/ou de grupo realizadas, à ajuda no desenvolvimento de ferramentas adjuvantes à promoção do bem-estar psicológico". 

A psicóloga explica ainda que, "para o desenvolvimento de algumas destas ferramentas, são integradas equipas multidisplinares", e um exemplo disso é o facto de este serviço se ter "articulado com o  Mestrado de engenharia informática da UMa, projetos que colocam as tecnologias digitais ao serviço da promoção do bem-estar psicológico do estudante universitário, nomeadamente: a construção de uma aplicação móvel de monitorização de bem-estar e sucesso académico para estudantes e a construção de uma plataforma eletrónica “ToolBox: Estudante Universitário” (que será brevemente disponibilizada), e na qual o estudante poderá encontrar materiais psicoeducativos e exercícios personalizados e interativos, baseados na evidência, subordinados à experiência académica (ex.: gestão de ansiedade, métodos de estudo)." Para além destas parcerias no seio regional, este serviço recorre à colaboração com outras instutuições, como é o caso da Universidade do Porto, "em investigações ao nível do bem-estar estudantes universitários, relacionamentos interpessoais e avaliação de eficácia de programas de educação para a saúde", revela.

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Ep. 14 | Fábio Ascarani: investigador do ISOPlexis estuda recursos genéticos vegetais da Madeira

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fabioAscariniFábio Ascarani trabalha atualmente através de uma bolsa de investigação no Banco de Germoplasma – ISOPlexis da Universidade da Madeira, cujo projeto no qual se encontra envolvido conta com o apoio do PRODERAM. Este projeto baseia-se no conceito da biodiversidade agrícola. 

Segundo o investigador, "biodiversidade agrícola" é ainda um conceito do qual poucas pessoas têm um conhecimento exato. O seu objetivo principal trata-se de "inventariar, caracterizar e guardar recursos genéticos vegetais da região". Relativamente ao trabalho propriamente dito, o engenheiro agrónomo explica em detalhe que vai, juntamente com outros membros da equipa à qual pertence, "a vários locais da ilha, falar com agricultores, associações de agricultores e entidades envolvidas em agricultura". Atualmente, refere, a equipa interessa-se maioritariamente por "recursos de macieira, pereira, ameixeira, cerejeira, castanheiro, ginjeira, figueira, mirtilo, cidreira, batata-doce, cebola, anona, maracujá, abacate e mangueiro". 

Fábio Ascarani afirma que a Madeira é rica em variedades locais destas plantas e explica o conceito de "variedades locais" como "uma variedade que se desenvolve num espaço limitado, adapta-se às condições climáticas do sítio e é melhorada geneticamente por seleção do agricultor". 

No caso de árvores de fruto, o que esta equipa tem feito é, segundo exemplo dado pelo investigador, "detetar o lugar onde os pomares são localizados, retirando as coordenadas GPS e realizando inventários e mapas; recolher material vegetal (folhas e frutos) para medir e caracterizar cada variedade; promover a multiplicação e a instalação de novos pomares com fruteiras regionais". 

"A Madeira já tem 28 variedades regionais inscritas no Catálogo Nacional de Variedades de Espécies Fruteiras", revela o engenheiro agrónomo. O seu trabalho visa ainda "aumentar o nível de informação sobre estas variedades".

 

 

 

Ep. 13 | Maria João Lima: Investigadora estuda o transporte de partículas entre montes submarinos para compreender a ligação entre estes ecossistemas

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Maria João Lima minMaria João Lima trabalha no Observatório Oceânico da Madeira (OOM), no grupo de Oceanografia Física. Para executar o seu trabalho, utiliza uma ferramenta matemática que lhe permite "mapear possíveis trajetórias, quer para a frente quer para trás no tempo, por exemplo, de boias derivantes, de derrames de petróleo, de plásticos e ainda de larvas de diferentes espécies".

A ferramenta matemática que utiliza chama-se Lagrangiana, e é usada para "lançar (informaticamente) um determinado número de partículas virtuais que representam uma parcela de água. Estas partículas podem ser lançadas às centenas ou até milhares e podem simular organismos que não têm movimento próprio ou objetos dispersos", esclarece a investigadora. Para além desta ferramenta, Maria João também recorre a dados de modelos de circulação oceânica. 

No seu trabalho atual, Maria João estuda o "grau de conectividade que existe entre o grupo de montes submarinos conhecidos por Great Meteor e Madeira-Tore, que estão localizados, respetivamente, a Oeste e Nordeste da ilha da Madeira". Para contextualizar, "um monte submarino é uma montanha que se eleva do fundo do oceano sem atingir a superfície", explica. 

 Ao número de partículas virtuais que são lançadas a partir de um monte submarino e que vão ter a outro dá-se o nome de "conectividade". Essas partículas também podem ser encontradas no mesmo monte a partir do qual foram lançadas, explica a investigadora. De uma maneira mais simples, podemos dizer que "os fatores que contribuem para estes fenómenos são, por exemplo, as correntes, que podem favorecer ou impedir o movimento destas partículas entre os vários montes submarinos".

Para além deste trabalho, Maria João complementa esta investigação com a identificação dos "montes que atuam como principais recetores ou emissores de partículas". Explica ainda que isto é importante pelo facto de permitir que se saiba "se um determinado monte depende apenas das partículas que ele próprio produz ou se é sustentado pelas partículas que vêm de outros montes". Para rematar, a investigadora do OOM realça que esta informação é relevante para "identificar os principais processos físicos responsáveis pela ligação ou isolamento das populações de organismos marinhos dos montes submarinos, como, a longo prazo, será essencial para a caracterização da biodiversidade destes ecossistemas (ainda muito pouco explorados) e para a definição de novas Áreas Marinhas Protegidas".

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Ep. 12 | Rosa Pires: Programa para a preservação do Lobo-marinho na Madeira

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RosaPiresRosa Pires desenvolve, através do Instituto de Florestas e Conservação da Natureza, o Projeto LIFE Madeira Lobo-marinho, que consiste na recuperação desta espécie e no aumento do conhecimento existente sobre a mesma. 

"A foca mais rara do mundo", como refere a técnica superior Rosa Pires, continua a ser uma realidade na Madeira graças ao programa que defende a sua conservação. "O trabalho desenvolvido tem permitido a recuperação da população e um melhor conhecimento sobre esta espécie. A população estimada em 6 a 8 indivíduos, em 1988 é atualmente de 25 a 30. O crescimento da população contribuiu para o alargamento da área de distribuição da população que para além das Ilhas Desertas passou a incluir, também, a ilha da Madeira", explica. 

Este projeto - "Projeto LIFE Madeira Lobo-Marinho" - trouxe a implementação de metodologias inovadoras, como as câmaras fotográficas e o sistema GPS, para monitorizar a população de lobos-marinhos na Madeira. Segundo Rosa Pires, estas metologias têm "permitido seguir o estado da população de forma bastante rigorosa trazendo à luz conhecimentos inéditos, fundamentais para orientar adequadamente a conservação desta espécie emblemática". 

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Ep. 11 | Ana Dinis: Bióloga marinha estuda a estrutura social e os padrões de residência de baleias e golfinhos

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anadinizAna Dinis é bióloga marinha e é investigadora do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (Madeira), membro do Observatório Oceânico da Madeira (OOM). Cetáceos são um grupo de mamíferos marinhos vulgarmente designados por baleias e golfinhos, e o principal interesse desta investigadora é "estudar a sua estrutura social, os seus padrões de residência, os movimentos que realizam e a forma como usam o habitat". 

A bióloga refere, desde logo, a importância da Madeira para o estudo deste grupo de animais. Isto porque, se tratando de uma ilha "rodeada de águas de grande profundidade, as espécies oceânicas aqui ocorrem junto da costa, sendo por isso fácil observá-las e estudar o seu comportamento". Ana Dinis indica ainda o número de espécies de cetáceos até ao momento registado ao largo do arquipélago da ilha da Madeira: 29, ou seja, cerca de 1/3 do total mundial. 

Um dos estudos desta investigadora "consiste na comparação de catálogos de foto-identificação de uma espécie em particular, do golfinho-roaz, que é bastante avistado na Madeira, entre os arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias", explica. Existem várias técnicas e ferramentas para proceder a este tipo de investigação, mas a técnica usada por Ana Dinis baseia-se na foto-identificação destes animais. "A foto-identificação é uma das técnicas utilizadas para distinguir os diferentes indivíduos de um grupo", explica. Em termos mais simples, consiste em fotografar "a barbatana dorsal destes animais e depois analisar marcas naturais presentes nessas barbatanas", informações que depois são reunidas em catálogos e permitem "identificar os indivíduos, a frequência com que são avistados nas nossas águas, determinar os seus movimentos e os seus padrões de residência". A bióloga marinha relata ainda que, com esta "comparação", confirmou-se,  "pela primeira vez, a presença dos mesmos indivíduos na Madeira e nos Açores, e outros que estiveram na Madeira e nas Canárias".